26 de abril de 2013
Acho que um dos meus problemas é não conseguir aceitar que há muitas pessoas bem melhores do que eu, em qualquer que seja a área. Tenho sempre esta fome de querer conseguir chegar a tudo. Ser mais bonita, mais inteligente, escrever melhor, aprender outro tipo de coisas, como por exemplo, piano. Destacar-me em tudo, ou então apenas numa coisa, mas fazê-lo bem, ser extraordinariamente boa. Não gosto de pensar que vim aqui só para ser mais uma, no entanto é aquilo que eu sou. Que tenho eu que me distinga dos outros? Porque haveria eu de ser especial? Não passo de mais uma qualquer. Viverei e morrerei sem que a humanidade dê por isso. Não espero fama, longe de mim tal coisa, espero sim glória. Glória de alguma vez na vida poder estar satisfeita comigo mesma, que outros possam compreender-me e dar-me valor, é só isso que eu peço, será pedir muito?
19 de abril de 2013
Os Homens são como os fósforos!
São sete e cinquenta e três da tarde do
dia dezanove de abril, olho pela janela e o céu está de um azul deslavado,
límpido, não tarda escurecerá, e o azul límpido quase transparente dará lugar
ao negrume opaco da noite. No tempo em que isto decorre, morrem células no
nosso corpo de que não damos conta, do outro lado do mundo não escurece mas
amanhece, o dia foge-nos e nós ficamos mais velhos. Não passamos o tempo - gastamo-lo.
Cada minuto, hora, dia, ano que passa é mais um na contagem decrescente do
nosso fim, seja ele amanhã ou daqui a cinquenta anos. Cada ano que passa é
menos um que devemos ao tempo. Dê-se por sortudo aquele que morre sem saber
quando e de quê. Aquele que o sabe não lhe resta mais do que viver agoniado com
tal espera. O que distingue aqueles que morrem sem saberem dos que os que sabem
é a consciência de morte e do tempo que lhes resta. Aquele que não sabe anda
tão distraído com a sua vida que mal tem tempo para se debruçar no seu
fim, já para o outro a sua vida passa a ser a sua morte. Se algum dia tiver
algum problema no qual seja possível fazer uma estimativa do tempo que me resta
pedirei a essa pessoa para que nunca mo diga, nem mesmo que o pergunte, prefiro
a ansiedade à agonia. A partir do momento em que o soubesse - morreria, não
enquanto corpo mas enquanto alma. Seria apenas um corpo esperando o inevitável.
Mais uma prova de como a ignorância é o melhor caminho para a felicidade do
Homem. Difícil não é adquirir conhecimento mas ser ignorante! O que procura a
verdade afasta-se da verdade! E a maior verdade que todos nós procuramos é a
felicidade. Que raça enfadonha é esta que anda sempre ao contrário?
Festeja-se aniversários à medida que nos aproximamos do fim, procuramos
conhecimento para que possamos atingir uma verdade absoluta que justifique a
nossa razão de viver quando a verdade se encontra não procurando.
Já são vinte e
dezassete, tenho exatamente menos vinte e quatro minutos de vida do que tinha
antes de começar a escrever este texto, e nada escrevi!
Se virmos bem
entre um Homem e um fósforo não há grande diferença. Somos como caixas de
fósforos dadas a crianças - acende-os só para os poder apagar. Nascemos para
morrer, e a nossa vida é o sopro que vai desde a intermitência da chama até ao
fumo que se esbate. Até os fósforos podem ter tempos de duração diferentes, tal
como nós. Se soprarmos assim que os acendemos, o tempo que este durou é curto,
se deixarmos que a chama consuma toda a madeira que se lhe segue, o tempo que
durou é mais longo que o do primeiro. Agora é só equacionar, fazer uma regra
três simples e podemos colocar o fósforo e o homem no mesmo
espaço temporal. Não sei porque me encontro meditando nestas coisas. Só sei que
já são oito e vinte e oito e eu ainda não saí do mesmo sítio. Restam-me menos
trinta e cinco minutos. Queimei-os a fazer comparações entre fósforos e
humanos, podia dar-me para pior.
16 de abril de 2013
12 de abril de 2013
Ódio Febril
Nunca conseguirei ser ninguém porque nunca
quiseram fazer de mim alguém. Desistiram de mim antes sequer de... Ó minha mãe
onde andas tu? Porque me deixaste também tu entregue a estes bichos? Oh! Oh!
Oh! Como têm todos razão! Não sei o que sou, descrevi-me recentemente como
invulgarmente assombrada. Isto faz algum sentido? Será que o sou? Se
o for ao menos que o seja de qualidade! Que a minha alma atinga tudo
a quem direito e ao que não tem também! Lembrei-me de repente de uma música dos Pink Floyd do qual faz parte: You
can have anything you want, you can drift, you can dream, even walk on water
anything you want. You can own everything you see, sell your soul for
complete control is that really what you need. Transcrevo isto para aqui porque esta
poesia melódica é melhor que aquela que eu algum dia poderei escrever.
Ouso ler-me e tenho repulsa de mim
própria. Não consigo saciar a fome de ambição que tenho para mim. Formulo
mentalmente algo mas não o consigo colocar em prática. O que é isto? O que é
isto que escrevo? Oh, sinto-me tão confusa! Querer ser algo e não ter a
capacidade de o atingir, haverá coisa pior? O que sou eu? O que alguma vez
serei? Será que existo? Será que alucino? Já não entendo o significado das
coisas, acho que nunca entendi! Tenho nojo de mim própria e da minha obra
imperfeita. Nojo, sim, como o tenho daqueles que me tornaram naquilo que sou!
Pudessem eles pagar, pudessem eles pagar por trabalho tão mal feito assim como
eu pago pelo meu!
Quero extinguir-me! Oh quero extinguir-me
deveras! Rebentar em supernova (tenho a certeza que não há nada mais bonito que
o clímax da explosão de uma supernova!) e prolongar-me durante os séculos. Só
assim conseguirei atingir a perfeição dos seres. Pelo menos uma vez
conseguiria, e todos poderiam apreciá-lo e admirar-me!
Não gosto que me toquem, não gosto que me
acariciem! Deixem-me ser sozinha! Vocês nunca compreenderam, agora também nunca
deixarei que o façam! Ardam no inferno ou deixem-me arder a mim! Não preciso de
ninguém! Não tirem conclusões... que conclusões podem haver para além destas?
Saiam, saiam daqui, já disse que quero ser sozinha! Porque hei de eu partilhar-me
com vocês? Porque hei de eu deixar que me vejam? Para me odiar já basto
eu!
Ó suas miseráveis criaturas, vocês que vivem as vossas vidas fúteis e inúteis querem que eu seja igual? Nunca! Ouviram bem? Antes assim, e ciente da minha prestação, do que pseudo-adorando o que não sou, suas bestas!
Ó suas miseráveis criaturas, vocês que vivem as vossas vidas fúteis e inúteis querem que eu seja igual? Nunca! Ouviram bem? Antes assim, e ciente da minha prestação, do que pseudo-adorando o que não sou, suas bestas!
Ah, mas quem me trouxe a este mundo assim
governado? Não me terem deixado nas estrelas... trouxeram-me para aqui, lúcido,
para que pudesse visualizar este teatro mal encenado? Ó minha mãe livra-me
desta cruz que é viver! O que é viver? O que é viver? Tirem-me daqui a consciência! Queriam-me aqui,
fizessem-no, mas sem a capacidade de me poder debruçar sobre isso mesmo. Fosse
tão cega, tão surda como vocês ó bichos! Deixem-me respirar, deixem-me respirar
todos vós! Deixem-me explodir e ofuscar-vos e só depois compreenderão o
verdadeiro sentido de viver! Seus ignorantes, seus burros com talas! Acham que
as vossas verdades absolutas vos conseguem transmitir o sentido da vida? Ainda
são mais ignorantes do que aquilo que eu pensava.... A verdade.... A
verdade.... essa é... essa é subjetiva! Não me interrompam! Não gosto que me
interrompam! Deixem-me explodir, oh deixem-me explodir....
Ó seus escritores amadores que escrevem
melhor que eu como vos odeio! Ó vocês também, escritores profissionais, que
escrevem pior que eu como vos odeio! A todos, deixem-me não existir. Não ser eu
melodia dos Pink Floyd, texto de Fernando Pessoa ou personagem irreal de um
filme, ou uma supernova.... ou uma supernova! Sinto-me doente do ódio que sinto
por todos vós, não tanto como aquele que sinto por mim, quero rebentar em
supernova e que maneira bonita tínhamos todos de morrer!
9 de abril de 2013
5 de abril de 2013
Pensar é
destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento,
porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida,
se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor de
acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam de assustados, como
os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte.
Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego
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