12 de abril de 2013


Ódio Febril 

Nunca conseguirei ser ninguém porque nunca quiseram fazer de mim alguém. Desistiram de mim antes sequer de... Ó minha mãe onde andas tu? Porque me deixaste também tu entregue a estes bichos? Oh! Oh! Oh! Como têm todos razão! Não sei o que sou, descrevi-me recentemente como invulgarmente assombrada. Isto faz algum sentido? Será que o sou? Se o for ao menos que o seja de qualidade! Que a minha alma atinga tudo a quem direito e ao que não tem também! Lembrei-me de repente de uma música dos Pink Floyd do qual faz parte: You can have anything you want, you can drift, you can dream, even walk on water anything you want. You can own everything you see, sell your soul for complete control is that really what you need. Transcrevo isto para aqui porque esta poesia melódica é melhor que aquela que eu algum dia poderei escrever.
Ouso ler-me e tenho repulsa de mim própria. Não consigo saciar a fome de ambição que tenho para mim. Formulo mentalmente algo mas não o consigo colocar em prática. O que é isto? O que é isto que escrevo? Oh, sinto-me tão confusa! Querer ser algo e não ter a capacidade de o atingir, haverá coisa pior? O que sou eu? O que alguma vez serei? Será que existo? Será que alucino? Já não entendo o significado das coisas, acho que nunca entendi! Tenho nojo de mim própria e da minha obra imperfeita. Nojo, sim, como o tenho daqueles que me tornaram naquilo que sou! Pudessem eles pagar, pudessem eles pagar por trabalho tão mal feito assim como eu pago pelo meu!
Quero extinguir-me! Oh quero extinguir-me deveras! Rebentar em supernova (tenho a certeza que não há nada mais bonito que o clímax da explosão de uma supernova!) e prolongar-me durante os séculos. Só assim conseguirei atingir a perfeição dos seres. Pelo menos uma vez conseguiria, e todos poderiam apreciá-lo e admirar-me!
Não gosto que me toquem, não gosto que me acariciem! Deixem-me ser sozinha! Vocês nunca compreenderam, agora também nunca deixarei que o façam! Ardam no inferno ou deixem-me arder a mim! Não preciso de ninguém! Não tirem conclusões... que conclusões podem haver para além destas? Saiam, saiam daqui, já disse que quero ser sozinha! Porque hei de eu partilhar-me com vocês? Porque hei de eu deixar que me vejam? Para me odiar já basto eu! 
Ó suas miseráveis criaturas, vocês que vivem as vossas vidas fúteis e inúteis querem que eu seja igual? Nunca! Ouviram bem? Antes assim, e ciente da minha prestação, do que pseudo-adorando o que não sou, suas bestas!
Ah, mas quem me trouxe a este mundo assim governado? Não me terem deixado nas estrelas... trouxeram-me para aqui, lúcido, para que pudesse visualizar este teatro mal encenado? Ó minha mãe livra-me desta cruz que é viver! O que é viver? O que é viver? Tirem-me daqui a consciência!  Queriam-me aqui, fizessem-no, mas sem a capacidade de me poder debruçar sobre isso mesmo. Fosse tão cega, tão surda como vocês ó bichos! Deixem-me respirar, deixem-me respirar todos vós! Deixem-me explodir e ofuscar-vos e só depois compreenderão o verdadeiro sentido de viver! Seus ignorantes, seus burros com talas! Acham que as vossas verdades absolutas vos conseguem transmitir o sentido da vida? Ainda são mais ignorantes do que aquilo que eu pensava.... A verdade.... A verdade.... essa é... essa é subjetiva! Não me interrompam! Não gosto que me interrompam! Deixem-me explodir, oh deixem-me explodir....
Ó seus escritores amadores que escrevem melhor que eu como vos odeio! Ó vocês também, escritores profissionais, que escrevem pior que eu como vos odeio! A todos, deixem-me não existir. Não ser eu melodia dos Pink Floyd, texto de Fernando Pessoa ou personagem irreal de um filme, ou uma supernova.... ou uma supernova! Sinto-me doente do ódio que sinto por todos vós, não tanto como aquele que sinto por mim, quero rebentar em supernova e que maneira bonita tínhamos todos de morrer!

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