Ódio Febril
Nunca conseguirei ser ninguém porque nunca
quiseram fazer de mim alguém. Desistiram de mim antes sequer de... Ó minha mãe
onde andas tu? Porque me deixaste também tu entregue a estes bichos? Oh! Oh!
Oh! Como têm todos razão! Não sei o que sou, descrevi-me recentemente como
invulgarmente assombrada. Isto faz algum sentido? Será que o sou? Se
o for ao menos que o seja de qualidade! Que a minha alma atinga tudo
a quem direito e ao que não tem também! Lembrei-me de repente de uma música dos Pink Floyd do qual faz parte: You
can have anything you want, you can drift, you can dream, even walk on water
anything you want. You can own everything you see, sell your soul for
complete control is that really what you need. Transcrevo isto para aqui porque esta
poesia melódica é melhor que aquela que eu algum dia poderei escrever.
Ouso ler-me e tenho repulsa de mim
própria. Não consigo saciar a fome de ambição que tenho para mim. Formulo
mentalmente algo mas não o consigo colocar em prática. O que é isto? O que é
isto que escrevo? Oh, sinto-me tão confusa! Querer ser algo e não ter a
capacidade de o atingir, haverá coisa pior? O que sou eu? O que alguma vez
serei? Será que existo? Será que alucino? Já não entendo o significado das
coisas, acho que nunca entendi! Tenho nojo de mim própria e da minha obra
imperfeita. Nojo, sim, como o tenho daqueles que me tornaram naquilo que sou!
Pudessem eles pagar, pudessem eles pagar por trabalho tão mal feito assim como
eu pago pelo meu!
Quero extinguir-me! Oh quero extinguir-me
deveras! Rebentar em supernova (tenho a certeza que não há nada mais bonito que
o clímax da explosão de uma supernova!) e prolongar-me durante os séculos. Só
assim conseguirei atingir a perfeição dos seres. Pelo menos uma vez
conseguiria, e todos poderiam apreciá-lo e admirar-me!
Não gosto que me toquem, não gosto que me
acariciem! Deixem-me ser sozinha! Vocês nunca compreenderam, agora também nunca
deixarei que o façam! Ardam no inferno ou deixem-me arder a mim! Não preciso de
ninguém! Não tirem conclusões... que conclusões podem haver para além destas?
Saiam, saiam daqui, já disse que quero ser sozinha! Porque hei de eu partilhar-me
com vocês? Porque hei de eu deixar que me vejam? Para me odiar já basto
eu!
Ó suas miseráveis criaturas, vocês que vivem as vossas vidas fúteis e inúteis querem que eu seja igual? Nunca! Ouviram bem? Antes assim, e ciente da minha prestação, do que pseudo-adorando o que não sou, suas bestas!
Ó suas miseráveis criaturas, vocês que vivem as vossas vidas fúteis e inúteis querem que eu seja igual? Nunca! Ouviram bem? Antes assim, e ciente da minha prestação, do que pseudo-adorando o que não sou, suas bestas!
Ah, mas quem me trouxe a este mundo assim
governado? Não me terem deixado nas estrelas... trouxeram-me para aqui, lúcido,
para que pudesse visualizar este teatro mal encenado? Ó minha mãe livra-me
desta cruz que é viver! O que é viver? O que é viver? Tirem-me daqui a consciência! Queriam-me aqui,
fizessem-no, mas sem a capacidade de me poder debruçar sobre isso mesmo. Fosse
tão cega, tão surda como vocês ó bichos! Deixem-me respirar, deixem-me respirar
todos vós! Deixem-me explodir e ofuscar-vos e só depois compreenderão o
verdadeiro sentido de viver! Seus ignorantes, seus burros com talas! Acham que
as vossas verdades absolutas vos conseguem transmitir o sentido da vida? Ainda
são mais ignorantes do que aquilo que eu pensava.... A verdade.... A
verdade.... essa é... essa é subjetiva! Não me interrompam! Não gosto que me
interrompam! Deixem-me explodir, oh deixem-me explodir....
Ó seus escritores amadores que escrevem
melhor que eu como vos odeio! Ó vocês também, escritores profissionais, que
escrevem pior que eu como vos odeio! A todos, deixem-me não existir. Não ser eu
melodia dos Pink Floyd, texto de Fernando Pessoa ou personagem irreal de um
filme, ou uma supernova.... ou uma supernova! Sinto-me doente do ódio que sinto
por todos vós, não tanto como aquele que sinto por mim, quero rebentar em
supernova e que maneira bonita tínhamos todos de morrer!
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