20 de setembro de 2012

17 de setembro de 2012


«Não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.»

Surpreendo-me, dando comigo, a olhar para algumas fotografias recentes, que a minha mãe, tem, carinhosamente dispostas em molduras. Olho para mim e tento captar qualquer expressão presente que não compreendo. Sigo o contorno dos olhos e deslizo pelos traços do nariz até à boca tirando-lhes as impressões. Reparo que quando sorrio, além de o meu sorriso ser ligeiramente torto e de fazer umas covinhas nas bochechas, fecho mais o olho direito do que o esquerdo. São aqueles pormenores que com certeza escapariam a quem para mim não olhe com atenção. Mas isso é a única conclusão que consigo retirar. Não consigo dizer que tipo de sensação, aquela fotografia, pode causar noutra pessoa que a veja de fora, porque não é eu. 
E demoro-me comigo, analiso, analiso, sem nunca chegar a nada. Penso, para comigo, se todo o meu exterior, se  todo este conjunto de moléculas que me compõe estará de acordo comigo enquanto alma. E, chego, outra vez ao mesmo beco sem saída. Se eu própria não sei conhecer-me como alguém poderá?
Quando faço a letra bonita não consigo escrever bem. Isto é um facto meu mas, parece-me, aplicar-se a outras realidades. As pessoas tidas como muito bonitas, ou se preferirem boazonas, não o são interiormente ou intelectualmente (ou os dois juntos) e o mesmo vice-versa. Digam o que disserem, isto também é um facto. O restante das pessoas ou é normal, e com isso quero dizer que têm uma personalidade aceitável, uma inteligência da mesma forma e por conseguinte uma aparência razoável, ou são estranhas, que, normalmente têm uma personalidade diferente conciliando também com os outros dois fatores. Tudo isto para dizer que, na minha opinião, a estética prejudica a expressão do pensamento. 

5 de setembro de 2012

Tenho sonhado muito. O que, em mim, não costuma ser bom sinal. É bastante raro eu sonhar, ou se sonho, então, é bastante raro eu lembrar-me. Por isso quando sonho, normalmente, é porque ando demasiado nervosa ou coisa do género. 
Há uns tempos fumei um cigarro e, no outro dia, na viajem, fartei-me de ver pessoas a fumar. Nessa mesma noite sonhei com cigarros. Há pouco tempo aconteceu exatamente o mesmo com outra coisa qualquer da qual já não me recordo. E quando não é uma coisa em específico, são várias coisas, sem conexão, misturadas no mesmo espaço.
Ultimamente, tenho-me sentido outra pessoa que não eu. Há certas atitudes que não eram próprias de mim  e deparo-me com problemas que outrora abalar-me-iam e que agora passam por mim como gotas de água num vidro. Começa a incomodar-me o facto de já não me incomodar com a maior parte das coisas. E aos poucos vou-me sentindo mais vazia, mas não mais leve, muito pelo contrário. É uma indiferença por tudo que transcende qualquer compreensão possível, creio-o. Não sei quem a criou, a minha consciência consciente não foi com toda a certeza! O meu inconsciente sempre teve o poder de me proteger de mim própria. Quantas das minhas decisões não dependeram de sonhos meus? Espantariam-se se vos contasse! E até hoje nunca me traiu. Se toda esta apatia foi algo que ele criou, aceito-o; se foi outra coisa qualquer repulso-a como se de um veneno se tratasse. Os efeitos de tal coisa? Ainda não os conheço. Mas a cada dia que passa vou-me sentindo cada vez mais fechada em mim e sinto todo o meu eu encolher-se em si próprio com toda a amargura que o exterior lhe causou.

4 de setembro de 2012

Príncipe das melhores horas, outrora fui tua princesa, e amámo-nos com um amor de outra espécie, cuja memória me dói.

Fernando Pessoa

3 de setembro de 2012

Ninguém lê este blog. Também não quero que ninguém leia... isto de ser secreto tem sempre a vantagem de eu poder chapar a minha vida toda sem que ninguém conhecido saiba. Mas se por acaso, houver por aí algum stalker ou um leitor perdido, podia comentar qualquer coisinha de vez em quando, nem que seja em anónimo. Vá lá, eu até sou uma menina simpática. *beicinho*