29 de outubro de 2012

Quem tenha lido as páginas deste livro, que estão antes desta, terá sem dúvida formado a ideia de que sou um sonhador. Ter-se-ia enganado se a formou. Para ser sonhador falta-me o dinheiro. As grandes melancolias, as tristezas cheias de tédio, não podem existir senão com um ambiente de conforto e de sóbrio luxo.

Fernando Pessoa 
Tenho-me encontrado num estado vegetativo. Não ando bem, mas também não ando mal. Não ando - ou melhor deixo andar. Já não penso muito nas coisas, não sei se isso é bom ou não, não penso, ponto. Cada vez que me lembro de certos episódios da minha vida, alguns já bem distantes, outros até ligeiramente recentes parece que foi a outrem que aconteceu e não a mim. Tenho memórias deles, sim, mas de como se outra pessoa mas tivesse contado. É como se eu quisesse forçosamente sentir, com a mesma intensidade algo que não é meu nem nunca foi. Tenho consciência dos sentimentos que vivi, mas sinto-os esbatidos, apenas como uma ligeira amostra daquilo que passou. Parece-me, que isto é o que se chama  de distância e de "deixar passar o tempo", e sim isto é tão novo para mim. 

28 de outubro de 2012

Desculpa, é que nem eu mesmo gosto muito de mim. Fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso.

Gabito Nunes
My dear,
Find what you love and let it kill you. 
Let it drain you of your all. 
Let it cling onto your back and weigh you down into eventual nothingness.
Let it kill you and let it devour your remains.
For all things will kill you, both slowly and fastly, but it’s much better to be killed by a lover.



Charles Bukowski 

27 de outubro de 2012

Não tenho escrito nada, nem aqui nem em lado nenhum. Não me vou desculpar com a falta de tempo, porque não se trata necessariamente disso. Trata-se de que tenho andando relativamente bem, e pela minha conclusão, só me dá para escrever quando estou menos bem, mas não se preocupem não costuma durar muito...

17 de outubro de 2012


Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo, mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria. Considerar isto em pleno meio dessa angústia é a sabedoria inteira. No momento em que sofremos, parece que a dor humana é infinita. Mas nem a dor humana é infinita, pois nada há humano de infinito, nem a nossa dor vale mais que ser uma dor que nós temos. Quantas vezes, sob o peso de um tédio que parece ser loucura, ou de uma angústia que parece passar para além dela, paro, hesitante, antes que me revolte, hesito, parando, antes que me divinize. Dor de não saber o que é o mistério do mundo, dor de não nos amarem, dor de serem injustos connosco, dor de pesar a vida sobre nós, sufocando e prendendo, dor de dentes, dor de sapatos apertados - quem pode dizer qual é maior em si mesmo, quanto mais nos outros, ou na generalidade dos que existem? Para alguns que me falam e me ouvem, sou um insensível. Sou, porém, mais sensível - creio - que a vasta maioria dos homens. O que sou, contudo, é um sensível que se conhece, e que, portanto, conhece a sensibilidade. Ah, não é verdade que a vida seja dolorosa, ou que seja doloroso pensar na vida. O que é verdade é que a nossa dor só é séria e grave quando a fingimos tal. Se formos naturais, ela passará assim como veio, esbater-se-á assim como cresceu. Tudo é nada, e a nossa dor nele. Escrevo isto sob a opressão de um tédio que parece não caber em mim, ou precisar de mais que da minha alma para ter onde estar; de uma opressão de todos e de tudo que me estrangula e desvaira; de um sentimento físico da incompreensão alheia que me perturba e esmaga. Mas ergo a cabeça para o céu azul alheio, exponho a face ao vento inconscientemente fresco, baixo as pálpebras depois de ter visto, esqueço a face depois de ter sentido. Não fico melhor, mas fico diferente. Ver-me liberta-me de mim. Quase sorrio, não porque me compreenda, mas porque, tendo-me tornado outro, me deixei de poder compreender. No alto do céu, como um nada visível, uma nuvem pequeníssima é um esquecimento branco do universo inteiro.

Fernando Pessoa

14 de outubro de 2012

I think the most common cause of insomnia is simple, it’s loneliness. 

Heath Ledger 
Eu sou aquele tipo de pessoa que ou se ama ou se odeia, ou os dois ao mesmo tempo.

12 de outubro de 2012

Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que não me tenha feito mal. Talvez culpa minha, talvez... O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!

Florbela Espanca
Nunca, mas nunca, tenham expectativas demasiado altas em relação a alguém. Mais tarde ou mais cedo, desiludem-te sempre. 

10 de outubro de 2012

Apesar de tudo, a loucura não é assim uma coisa tão feia como muita gente julga. Há tantas loucas felizes!

Florbela Espanca

8 de outubro de 2012

Hoje, decidi investir dez euros numa ida ao cinema e ao McDonald's. Resultados: Mais felicidade para dar ao mundo, pelo menos hoje e amanhã, espero. 

4 de outubro de 2012

Hoje fui estrear a minha polaroid, porque ainda não tinha tido tempo de a usar. Mas pelos vistos tive azar com o cartucho e as fotografias não revelaram completamente, ou seja, acho que é aquilo a que se chama queimado. Das três fotografias que tirei, duas ficaram horríveis, nem metade da fotografia revelou. Só uma é que escapou mais ou menos (quando a digitalizar mostro aqui). Pronto e foi só isso, admito que fiquei um bocadinho triste e estava à espera de melhores resultados. Mas agora, é acabar o cartucho e ver como saem as outras e assim que possível comprar outro. 

3 de outubro de 2012

Começo a fartar-me deste blog, assim como me farto de tudo, principalmente, de mim. 

2 de outubro de 2012

Estar sozinha em casa, vendo, através da janela, a tarde ceder à noite e a ouvir e a cantar bem alto as músicas que mais gosto é ser-se feliz.
Ser puro, não para ser nobre, ou para ser forte, mas para ser si próprio. Quem dá amor, perde amor. 

Fernando Pessoa
Hoje acordei morta, morta de espírito. Dormi pouco e sonhei muito. Acordei tarde, e mesmo assim, em vez de me atrasar para a escola, ainda tive de ficar a olhar para o relógio para que o tempo passasse. Peguei nas primeiras peças de roupa que me vieram à mão, passei uma escovadela pelo cabelo, engoli 3 goles de leite, lavei os dentes e a cara, liguei o mp4 em pink floyd  e morri para o mundo. Estive assim, ignorando toda a gente que me falava, olhando para o vazio,  absorvendo as letras das músicas que ouvia como se estas tivessem sido escritas para mim, até que foi preciso começar a dar axiomas e teoremas em matemática aplicada para que finalmente começasse a raciocinar, porque não, não é nada fácil! E apesar da minha nula vontade em empregar qualquer mínimo de atenção  no que quer que fosse, lá tive eu de fazer um esforço. Teses não é só em filosofia agora também as há em matemática, e é com letras! Raquel, deixa-te andar e vais ver o que te acontece...

1 de outubro de 2012

Foda-se #1


Até a única coisa que me fazia um bocadinho de feliz na escola, a senhora máquina de café, me tiraram! 
Eu gosto de orelhas e de narizes e de tocar e mexer neles de mil e uma maneiras!