I envy you. Every moment. You can leave me. I cannot leave myself.
Anna Świrszczyńska
20 de novembro de 2012
18 de novembro de 2012
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul o mesmo da minha infância ,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Álvaro de Campos
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
15 de novembro de 2012
O ambiente em que vivo está cansado, as
pessoas que me rodeiam estão cansadas, mas sobretudo, eu estou cansada! Estou
cansada da escola, das disciplinas, das caras dos professores, das caras dos
alunos, das vozes deles todos, das salas de aulas, dos intervalos - desta
cidade. Chegou ao ponto de ser insuportável qualquer emprego de energia no que
quer que seja. Até deixei de conseguir estudar, não consigo estudar! As minhas
notas estão todas a descer porque não me sinto bem aqui! Não sinto! Não é nada
de particular é antes um acumular de anos - um colapso de rotinas. Um
asfixiamento do mundo, de tudo. Tudo me aborrece, nada me cativa. É um tédio -
um tédio de ter de forçosamente de existir. Um tédio a toda esta sociedade que
me obriga a ter de pensar e de agir! De toda esta ilusão de livre arbítrio pela
qual as pessoas se regulam quando na verdade não temos nenhum! Fazemos aquilo
que a sociedade nos determinou que fizéssemos, não somos nada senão um produto
de séculos de condicionamentos. E julgamo-nos nós superiores por isso? Porquê?
Porque pensamos? Porque conseguimos desenvolver conhecimento? E para quê que
isso nos serve? Do que serviu ao Homem tantos séculos de teorias e
questionamentos? Expliquem-me que eu não entendo! Tudo o que fizemos até
agora, foi afastar cada vez mais de nós o conceito de liberdade. A partir do
momento que temos a noção que não podemos controlar o nosso
nascimento nem a nossa morte, para quê empregar maior esforço senão o de
existir? Existir no real sentido da palavra, ser inconsciente até mesmo desse
esforço.
Com que então o
Homem julga-se superior por ser racional? Eu considero isso um ato de fraqueza,
um erro, uma desvantagem, uma falha nossa - aqui
os imperfeitos somos nós e não todos os outros seres vivos
irracionais. Em neles sim, está o verdadeiro conhecimento do mundo - mesmo
colocando a hipótese que são condicionados, eles não o conseguem atingir.
Satisfazem as suas necessidades básicas à luz do instinto da sobrevivência
e tudo o resto lhes é indiferente. Quem me dera ser assim! Desligada do
mundo, sentir com as sensações e só estas apenas! Não saber sequer escrever,
nem ler, nem raciocinar Mas não posso! Porquê? Porque a sociedade me
tornou assim! Não foi porque escolhi - quando nasci era tão inocente e
inconsciente como qualquer outro ser vivo. E ainda dizem vocês que são livres,
que têm opção de escolha? Enganam-se, porque se eu pudesse escolher - escolhia
mandar isto tudo à fava, melhor, escolhia nunca ter nascido.
8 de novembro de 2012
7 de novembro de 2012
O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço... Álvaro de Campos
5 de novembro de 2012
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O
passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como
a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem
sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a
desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não
presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha
vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o
repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é
tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são
saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e
a história continua, mas não o texto.
3 de novembro de 2012
É
habitual que todas as raparigas tenham o desejo de um dia casar e constituir
uma família. Não conheço nenhuma que o não queira ou que o não tivesse querido,
eu também já quis - agora não tenho tanta certeza. Acho que não consigo lidar
com relacionamentos, nem sequer me consigo imaginar viver a minha vida com
alguém vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Sempre ouvi dizer que com o
passar dos anos o amor morre e aquilo que contínua a unir as pessoas é a
amizade, o companheirismo etc, não entrando por questões financeiras e
de bens e coisas do género. Eu não conseguia isso. Para mim, senão é amor
aborrece-me. Mas vá, mesmo pensando que eu e o meu "suposto" marido
sejamos verdadeiramente apaixonados um pelo outro, o que só acontece em mim com
pessoas em que haja bastante atrito, por outras
palavras, onde aja algumas discussõezinhas saudáveis de vez em quando - não me
consigo ver a abdicar da minha independência e de conseguir partilhar tudo.
Sim, se calhar é uma atitude egoísta da minha parte, mas por outro lado não tenho culpa.
Cresci quase que me autoeducando e sempre soube aguentar-me e tomar as minhas
decisões sozinha. Mesmo de tenra idade sempre soube o que era melhor para mim
e, que neste mundo, só podia contar comigo. A minha vida é só minha e de mais
ninguém. As pessoas que até parecem ou demonstram preocupar-se connosco e
com o nosso bem-estar acabam sempre por ir embora e por nos deixarem quando
mais precisamos delas, e depois de habituadas a elas nunca mais conseguimos ser
totalmente independentes, acho que um bocadinho de nós morre com elas e nunca mais
voltamos a ser os mesmos. É com este tipo de facadas que já levei, que todos
estes meus sonhos de menina de um dia ter um casamento e uma família feliz para
sempre se destruíram. Já não tenho ambições destas para o meu futuro, acho,
muito sinceramente, que não fui mesmo feita para partilhar a minha vida com
alguém, porque simplesmente não sei lidar com as pessoas de quem gosto mais.
Nunca soube e acho que nunca saberei. Vocês, que leem isto, podem estar a
pensar: "Ah ela é uma miúda, isso é o que ela diz agora..." pode ser,
não vos minto. Mas não é isso que eu sinto. Sempre que tento visualizar o meu
futuro vejo-me sempre sozinha um tanto ou pouco deprimida, talvez porque isso, desde há uns anos para cá, tornou-se a minha rotina. Se isso por acaso se verificar não digo que não tenho pena - porque tenho, mas aceito-o porque, muito sinceramente, acho que essa a única forma de eu conseguir viver relativamente bem, independente e livre de tudo e de todos.
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