É
habitual que todas as raparigas tenham o desejo de um dia casar e constituir
uma família. Não conheço nenhuma que o não queira ou que o não tivesse querido,
eu também já quis - agora não tenho tanta certeza. Acho que não consigo lidar
com relacionamentos, nem sequer me consigo imaginar viver a minha vida com
alguém vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Sempre ouvi dizer que com o
passar dos anos o amor morre e aquilo que contínua a unir as pessoas é a
amizade, o companheirismo etc, não entrando por questões financeiras e
de bens e coisas do género. Eu não conseguia isso. Para mim, senão é amor
aborrece-me. Mas vá, mesmo pensando que eu e o meu "suposto" marido
sejamos verdadeiramente apaixonados um pelo outro, o que só acontece em mim com
pessoas em que haja bastante atrito, por outras
palavras, onde aja algumas discussõezinhas saudáveis de vez em quando - não me
consigo ver a abdicar da minha independência e de conseguir partilhar tudo.
Sim, se calhar é uma atitude egoísta da minha parte, mas por outro lado não tenho culpa.
Cresci quase que me autoeducando e sempre soube aguentar-me e tomar as minhas
decisões sozinha. Mesmo de tenra idade sempre soube o que era melhor para mim
e, que neste mundo, só podia contar comigo. A minha vida é só minha e de mais
ninguém. As pessoas que até parecem ou demonstram preocupar-se connosco e
com o nosso bem-estar acabam sempre por ir embora e por nos deixarem quando
mais precisamos delas, e depois de habituadas a elas nunca mais conseguimos ser
totalmente independentes, acho que um bocadinho de nós morre com elas e nunca mais
voltamos a ser os mesmos. É com este tipo de facadas que já levei, que todos
estes meus sonhos de menina de um dia ter um casamento e uma família feliz para
sempre se destruíram. Já não tenho ambições destas para o meu futuro, acho,
muito sinceramente, que não fui mesmo feita para partilhar a minha vida com
alguém, porque simplesmente não sei lidar com as pessoas de quem gosto mais.
Nunca soube e acho que nunca saberei. Vocês, que leem isto, podem estar a
pensar: "Ah ela é uma miúda, isso é o que ela diz agora..." pode ser,
não vos minto. Mas não é isso que eu sinto. Sempre que tento visualizar o meu
futuro vejo-me sempre sozinha um tanto ou pouco deprimida, talvez porque isso, desde há uns anos para cá, tornou-se a minha rotina. Se isso por acaso se verificar não digo que não tenho pena - porque tenho, mas aceito-o porque, muito sinceramente, acho que essa a única forma de eu conseguir viver relativamente bem, independente e livre de tudo e de todos.
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