3 de novembro de 2012

É habitual que todas as raparigas tenham o desejo de um dia casar e constituir uma família. Não conheço nenhuma que o não queira ou que o não tivesse querido, eu também já quis - agora não tenho tanta certeza. Acho que não consigo lidar com relacionamentos, nem sequer me consigo imaginar viver a minha vida com alguém vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Sempre ouvi dizer que com o passar dos anos o amor morre e aquilo que contínua a unir as pessoas é a amizade, o companheirismo etc, não entrando por questões financeiras e de bens e coisas do género. Eu não conseguia isso. Para mim, senão é amor aborrece-me. Mas vá, mesmo pensando que eu e o meu "suposto" marido sejamos verdadeiramente apaixonados um pelo outro, o que só acontece em mim com pessoas em que haja bastante atrito, por outras palavras, onde aja algumas discussõezinhas saudáveis de vez em quando - não me consigo ver a abdicar da minha independência e de conseguir partilhar tudo. Sim, se calhar é uma atitude egoísta da minha parte, mas por outro lado não tenho culpa. 
Cresci quase que me autoeducando e sempre soube aguentar-me e tomar as minhas decisões sozinha. Mesmo de tenra idade sempre soube o que era melhor para mim e, que neste mundo, só podia contar comigo. A minha vida é só minha e de mais ninguém. As pessoas que até  parecem ou demonstram preocupar-se connosco e com o nosso bem-estar acabam sempre por ir embora e por nos deixarem quando mais precisamos delas, e depois de habituadas a elas nunca mais conseguimos ser totalmente independentes, acho que um bocadinho de nós morre com elas e nunca mais voltamos a ser os mesmos. É com este tipo de facadas que já levei, que todos estes meus sonhos de menina de um dia ter um casamento e uma família feliz para sempre se destruíram. Já não tenho ambições destas para o meu futuro, acho, muito sinceramente, que não fui mesmo feita para partilhar a minha vida com alguém, porque simplesmente não sei lidar com as pessoas de quem gosto mais. Nunca soube e acho que nunca saberei. Vocês, que leem isto, podem estar a pensar: "Ah ela é uma miúda, isso é o que ela diz agora..." pode ser, não vos minto. Mas não é isso que eu sinto. Sempre que tento visualizar o meu futuro vejo-me sempre sozinha um tanto ou pouco deprimida, talvez porque isso, desde há uns anos para cá, tornou-se a minha rotina. Se isso por acaso se verificar não digo que não tenho pena - porque tenho, mas aceito-o porque, muito sinceramente, acho que essa a única forma de eu conseguir viver relativamente bem, independente e livre de tudo e de todos. 

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