18 de fevereiro de 2014

A rotina e o tédio asfixiam-me. Sonho-me outra, e só me sonhando consigo sobreviver. Não devo nada a vida. Se a morte me encontrar nada leva de mim, assim como nem a vida levou. Nasci com a alma amarrada - estou presa de todas as maneiras possíveis. Dou voltas em mim, rodopio a vida e giro a razão, adoeço a alma só para me poder sentir. Tenho a alma doente e quero começar a viver. 

18 de janeiro de 2014

Cansada de não viver e de carregar o peso do tempo que me passa por cima como uma onda que me afoga e me leva para longe. Longe não sei de quê, mas longe, longe, longe.

5 de janeiro de 2014

É tudo muito vago - a vida. O ter conhecimento das emoções alheias por um sentimento generalizado e universal é errado. É tudo muito particular, muito próprio. Não somos pessoas, somos mundos dentro de um mundo maior que alberga todos os outros mundos. 
Enrolas-te em ti, porque não tens mais em que te enrolar. Enrolas-te em palavras porque elas não significam nada para ti. Enrolas-me como as ondas do mar e levas-me contigo e é por isso que gosto de ti. 

Pertencemos todos demasiado a nós mesmos. Podemos ver, mas nunca completamente, vemos só o que está ao alcance dos nossos olhos - e não há olhos que vejam para dentro. Sabemos que existe algo, na mesma medida que sabemos que existimos e não sabemos explicar o porquê. Não nos podemos dar porque não somos nossos para dar. Não nos podemos fundir porque as almas não se fundem, podemos estar perto, lado a lado, talvez, e fingir que nos conhecemos por estarmos perto. Somos como  bichos enclausurados em gaiolas de aço - o máximo que podemos alcançar está à distância de um braço. O "eu" apenas existe porque não sabemos o que é, soubéssemos o que é e tudo deixaria de fazer sentido. Acabando o mistério colocaríamos fim às nossas próprias vidas. Existimos porque somos incompletos, e só as coisas incompletas podem existir. 

5 de dezembro de 2013

Dizem-me que sou muito pessimista. Não. Sou bastante realista até, das pessoas mais realistas que poderão encontrar nas vossas vidas. Só não tenho culpa de a minha realidade ser péssima. 

11 de novembro de 2013

As ruas estão vazias. Não se vê ninguém. Chove lá fora. Umas mãos frias apertam-me a garganta, e de repente é em mim que chove, e não na rua. Sinto chover, mas não sinto a chuva a cair-me em cima da pele. Chove-me por dentro. O coração fecha-se. As ruas estão vazias, mas não são as ruas do lado de lá da janela, nessas vê-se sempre tanta gente sem se ver! Também não são as mãos frias que me apertam, são umas garras que me dilaceram. Cortam-me aos pedaços, pedaços que se estilhaçam e se perdem em mim.  O coração parou. Choveu em mim, ou melhor, choveu de mim porque foi de mim que choveu. A chuva arrastou os pedaços que me pertenciam. O coração já não existe. A chuva parou. Se a chuva que cai na rua fosse tão fria como a que choveu dentro de mim o mundo também não existiria, estilhaçaria à primeira gota.