Pertencemos todos demasiado a nós mesmos. Podemos ver, mas nunca completamente, vemos só o que está ao alcance dos nossos olhos - e não há olhos que vejam para dentro. Sabemos que existe algo, na mesma medida que sabemos que existimos e não sabemos explicar o porquê. Não nos podemos dar porque não somos nossos para dar. Não nos podemos fundir porque as almas não se fundem, podemos estar perto, lado a lado, talvez, e fingir que nos conhecemos por estarmos perto. Somos como bichos enclausurados em gaiolas de aço - o máximo que podemos alcançar está à distância de um braço. O "eu" apenas existe porque não sabemos o que é, soubéssemos o que é e tudo deixaria de fazer sentido. Acabando o mistério colocaríamos fim às nossas próprias vidas. Existimos porque somos incompletos, e só as coisas incompletas podem existir.
como já te disse: um dos teus melhores textos :D
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Obrigada, susana! ***
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