Tenho de me deixar destas frases soltas medíocres e começar a escrever algo a sério.
29 de junho de 2012
21 de junho de 2012
Já era tarde, as luzes ofuscadas dos candeeiros da rua trespassavam através da persiana meia fechada, ou meia aberta, como queiram. Estava deitada, apenas com uma camisa de dormir de manga curta. Destapei-me, precisava de frio, precisava de sentir – sentir frio, para saber que era real todo aquele cocktail de sentimentos que me invadia. De seguida, sentei-me com os braços enrolados à volta dos joelhos, as lágrimas caíam e mais uma vez, os candeeiros da rua que, certamente, também se refletiam nos meus olhos e quiçá nas lágrimas transparentes que deles saíam! Deitei-me ao contrário só porque sim! Senti-me um pouco desconfortável ao visualizar o meu quarto daquela perspetiva. O meu corpo mandava-me voltar a pôr-me como deve de ser, não lhe obedeci! Tal como eu, ele tem de aprender que as coisas não são como ele quer, quando quer. Áh as luzes! As luzes do candeeiro que nesta perspetiva me batem na cara e me encandeiam as vistas. As luzes que são sempre a minha única companhia nas noites frias de inverno ou nas noites infernais de verão! A rua que sem este candeeiro não era nada. Agora sim eu entendo! A luz é a vida, a luz é vida da noite. Apenas ela e eu, durante horas e horas a partilhar a mesma sinfonia silenciosa da madrugada. Se a luz do candeeiro falasse…
17 de junho de 2012
16 de junho de 2012
Ah, mas como eu desejaria lançar ao menos numa alma alguma coisa de veneno, de desassossego e de inquietação. Isso consolar-me-ia um pouco da nulidade de acção em que vivo. Perverter seria o fim da minha vida. Mas vibra alguma alma com as minhas palavras? Ouve-as alguém que não só eu?
Fernando Pessoa
11 de junho de 2012
10 de junho de 2012
Acordei hoje, nesta manhã de domingo, muito preguiçosa mas depois lá me decidi levantar e abrir a persiana, esteve a chover logo vi. Arrastei-me até à cozinha e bebi um copo de leite com café. Vesti uma camisa de ganga de manga curta e umas calças de ganga e fui à rua. A chuva começou a cair em cima de mim, mas não me importei, continuei a andar prolongando a volta. Parou de chover, voltei para casa.
3 de junho de 2012
Estava na aula de português, a professora mandou-me ler um poema de Cesário Verde – “Num bairro moderno” nada de muito extraordinário. O barulho na sala era infernal e estive uns bons cinco minutos à espera que se calassem minimamente para que eu pudesse ler. Fiz um esforço para ler bem. A expressividade, o tom de voz, e a pontuação tinham de sair perfeitas. Li as primeiras estrofes, o barulho lentamente começou a cessar, continuei o poema, agora, apenas a minha a voz se ouvia. Dei conta que as pessoas olhavam para mim como que enfeitiçadas pelas palavras que me saíam da boca. Acabei. Levantei a cabeça e olhei-os. O barulho voltou à sala.
Nunca me tinha acontecido nada assim.
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