Estava na aula de português, a professora mandou-me ler um poema de Cesário Verde – “Num bairro moderno” nada de muito extraordinário. O barulho na sala era infernal e estive uns bons cinco minutos à espera que se calassem minimamente para que eu pudesse ler. Fiz um esforço para ler bem. A expressividade, o tom de voz, e a pontuação tinham de sair perfeitas. Li as primeiras estrofes, o barulho lentamente começou a cessar, continuei o poema, agora, apenas a minha a voz se ouvia. Dei conta que as pessoas olhavam para mim como que enfeitiçadas pelas palavras que me saíam da boca. Acabei. Levantei a cabeça e olhei-os. O barulho voltou à sala.
Nunca me tinha acontecido nada assim.
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