30 de julho de 2012



A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.

Fernando Pessoa

23 de julho de 2012


Às vezes, quando estou para adormecer, ou andar de carro, ou deitada no sofá a olhar pela janela formam-se frases e ideias na minha cabeça. Frases, com uma expressividade e criatividade dignas dos maiores escritores. Não as aponto porque sou preguiçosa, desculpando-me que hei de me lembrar delas depois. Nunca me volto a lembrar. Desaparecem tão rápido como apareceram. Áh! Os melhores livros são aqueles que nunca foram escritos! Quantos e quantos, aí no mundo, ficaram assim por escrever…

Coisas que queria ter/fazer antes de morrer #5:  
Mergulho.

Eu não sou como as outras pessoas, e com isto não quer dizer que queira ser, de todo. Eu sou o contrário. Canso-me de tudo, menos das afeições que lhes ganho, essas não, nem mesmo que queira! Não quero com isto dizer que sinto demasiado, não, se calhar, sinto da maneira que as outras pessoas deviam sentir e já não o fazem. As coisas quando definidas perdem o significado, assim como aquelas que são repetidas, e é por isso que o amor hoje em dia está gasto, saturado e artificial. As pessoas já não amam - "acham piada" ou "querem-se divertir". Ai! Se eu pudesse gritar a estas pessoas a definição de amar! Mas não posso, até porque não sei defini-lo. Qualquer definição que haja sobre ele fica subentendida e explica-se na inexistência de palavras. Sinceramente, tenho pena! Tenho pena de pessoas assim, que não sabem sentir apesar de se gabarem de tal, de pessoas que não se entregam, de pessoas que não se dão, de pessoas que abdiquem de outras, que desistem sem tentar, ao menos, compreender, que se esquecem, que continuam como se nada tivesse sido, que apesar de tudo, acabam for ser alegres! No fundo, eu não tenho pena, eu tenho inveja! Eu tenho inveja porque sou triste e incompreendida. E porque para mim, sentir, sempre foi o meu triste bem. Por outro lado, repulso-as, e afasto qualquer proximidade social que possa haver entre mim e esse tipo de pessoas. Irrita-me saber que há pessoas assim - superficiais. O mistério e a dificuldade sempre me fascinaram! Óh, ainda está para vir a alma que me compreenda! 
São sempre os que eu recordo que me esquecem… Mas digo para mim: “Não me merecem…” E já não fico tão abandonada!  Sinto que valho mais, mais pobrezinha:  que também é orgulho ser sozinha , e também é nobreza não ter nada!

Florbela Espanca