5 de março de 2013

Entrego-me mais às pessoas do que elas a mim. Esforço-me por absorve-las o máximo que consigo, principalmente as de quem eu gosto. Quero captar tudo, qualquer detalhe, pormenor, segredo, experienciar as mesmas emoções que elas. Afundar, afundar-me cada vez mais no ínfimo das suas almas. Vestir as suas próprias peles, sair de mim e conhecer o outro. Consumi-las, consumi-las deveras! Mas depois, sinto que toda esta minha fome de possessão do intelectual do outro não é recíproca. As pessoas podem gostar ou conhecer mas contentam-se no superficial, não demonstram nem espírito nem capacidade de sacrifício pelo outro - por o conhecer; todos os seus gostos, todos os seus medos, todos os seus sonhos e ambições. E eu sinto tanto isso em relação a mim. Sinto que dou mais do que recebo, que me esforço mais pelos outros do que eles por mim. Não me sinto equilibrada - tal como eu tenho a necessidade de conhecer o mais íntimo de certas pessoas, tenho exatamente a mesma necessidade que elas façam o mesmo comigo - mas não fazem, e isso deixa-me tão desamparada.

2 de março de 2013

Se há coisa que eu não gosto, e é por isso que eu não publico este blog em outras redes sociais, é pessoas com quem eu me dou no dia-a-dia leiam aquilo que eu escrevo. Acho sempre que fico muito aquém das expectativas, acho não, tenho a certeza. 
As coisas que verdadeiramente nos assustam devem ser aquelas que sem dúvida têm de ser feitas. Eu não o faço, sempre fui demasiado cobarde para isso. Mas estou de acordo, nem que seja só na teoria e na fundamentação lógica da afirmação. A teoria o cérebro percebe-a e atinge sem muita dificuldade mas e depois qual é o seu estímulo para a por em prática? Encher-nos de medo, paralisar-nos, tirar-nos as palavras da boca quando mais precisamos delas, substituir toda a adrenalina  por um formigueiro e uma incapacidade de agir que percorre o nosso corpo por inteiro,  impossível de contradizer. É isto que eu não entendo, é isto que me deixa ficar mal e que sempre tem deixado. Tudo se resume à minha incapacidade de agir  apesar de eu saber que o melhor para mim era fazê-lo. A teoria eu tenho-a toda, muitas são as horas de sono perdidas analisando mil e uma opções e consequências. E, como toda a gente sabe, de uma boa deliberação com certeza sairá uma boa ação, e eu sei disso. Mas por trás disto tudo há um medo indescritível, um nervoso miudinho que se apodera de mim e que vence o meu lado pensante. Nestes momentos, sou tão inofensiva como qualquer ser vivo irracional, deixo que o meu lado biológico supere o meu lado racional. O que não devia acontecer, e eu sei disso! Sei mas continuo, porque tenho medo e o medo será sempre maior que a lógica. 

Encontrei este texto meu, hoje, aqui perdido pelo computador. 

1 de março de 2013


I felt like crying but nothing came out. It was just a sort of sad sickness, sick sad, when you can’t feel any worse. I think you know it. I think everybody knows it now and then. But I think I have known it pretty often, too often.

Charles Bukowski, Tales of Ordinary Madness 

Nestes últimos dias sinto a minha inspiração de escrita a voltar aos poucos e isso alivia-me. Tenho andado num estado um tanto depressivo sobre mim própria e sobre o meu futuro, mas é uma "depressão" diferente daquelas que estava habituada a ter porque esta não a consigo escrever nem deitar cá para fora. Mas, parece-me, que as coisas vão começar a correr melhor. E sim, vou tentar ser mais presente aqui, já tinha tantas saudades disto!
Mas para escrever é preciso vender a alma ao diabo e eu não sei se ainda estou disposta a isso.