As coisas que verdadeiramente nos assustam devem ser
aquelas que sem dúvida têm de ser feitas. Eu não o faço, sempre fui demasiado
cobarde para isso. Mas estou de acordo, nem que seja só na teoria e na
fundamentação lógica da afirmação. A teoria o cérebro percebe-a e
atinge sem muita dificuldade mas e depois qual é o seu estímulo para
a por em prática? Encher-nos de medo, paralisar-nos, tirar-nos as palavras da
boca quando mais precisamos delas, substituir toda a adrenalina por
um formigueiro e uma incapacidade de agir que percorre o nosso corpo por
inteiro, impossível de contradizer. É isto que eu não entendo, é isto que
me deixa ficar mal e que sempre tem deixado. Tudo se resume à minha
incapacidade de agir apesar de eu saber que o melhor para mim era fazê-lo.
A teoria eu tenho-a toda, muitas são as horas de sono perdidas analisando mil e
uma opções e consequências. E, como toda a gente sabe, de uma boa deliberação com
certeza sairá uma boa ação, e eu sei disso. Mas por trás disto tudo há um
medo indescritível, um nervoso miudinho que se apodera de mim e que vence
o meu lado pensante. Nestes momentos, sou tão inofensiva como qualquer ser vivo
irracional, deixo que o meu lado biológico supere o meu lado racional. O que
não devia acontecer, e eu sei disso! Sei mas continuo, porque tenho medo e o
medo será sempre maior que a lógica.
Encontrei este texto meu, hoje, aqui perdido pelo computador.
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