2 de março de 2013

As coisas que verdadeiramente nos assustam devem ser aquelas que sem dúvida têm de ser feitas. Eu não o faço, sempre fui demasiado cobarde para isso. Mas estou de acordo, nem que seja só na teoria e na fundamentação lógica da afirmação. A teoria o cérebro percebe-a e atinge sem muita dificuldade mas e depois qual é o seu estímulo para a por em prática? Encher-nos de medo, paralisar-nos, tirar-nos as palavras da boca quando mais precisamos delas, substituir toda a adrenalina  por um formigueiro e uma incapacidade de agir que percorre o nosso corpo por inteiro,  impossível de contradizer. É isto que eu não entendo, é isto que me deixa ficar mal e que sempre tem deixado. Tudo se resume à minha incapacidade de agir  apesar de eu saber que o melhor para mim era fazê-lo. A teoria eu tenho-a toda, muitas são as horas de sono perdidas analisando mil e uma opções e consequências. E, como toda a gente sabe, de uma boa deliberação com certeza sairá uma boa ação, e eu sei disso. Mas por trás disto tudo há um medo indescritível, um nervoso miudinho que se apodera de mim e que vence o meu lado pensante. Nestes momentos, sou tão inofensiva como qualquer ser vivo irracional, deixo que o meu lado biológico supere o meu lado racional. O que não devia acontecer, e eu sei disso! Sei mas continuo, porque tenho medo e o medo será sempre maior que a lógica. 

Encontrei este texto meu, hoje, aqui perdido pelo computador. 

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