5 de março de 2013

Entrego-me mais às pessoas do que elas a mim. Esforço-me por absorve-las o máximo que consigo, principalmente as de quem eu gosto. Quero captar tudo, qualquer detalhe, pormenor, segredo, experienciar as mesmas emoções que elas. Afundar, afundar-me cada vez mais no ínfimo das suas almas. Vestir as suas próprias peles, sair de mim e conhecer o outro. Consumi-las, consumi-las deveras! Mas depois, sinto que toda esta minha fome de possessão do intelectual do outro não é recíproca. As pessoas podem gostar ou conhecer mas contentam-se no superficial, não demonstram nem espírito nem capacidade de sacrifício pelo outro - por o conhecer; todos os seus gostos, todos os seus medos, todos os seus sonhos e ambições. E eu sinto tanto isso em relação a mim. Sinto que dou mais do que recebo, que me esforço mais pelos outros do que eles por mim. Não me sinto equilibrada - tal como eu tenho a necessidade de conhecer o mais íntimo de certas pessoas, tenho exatamente a mesma necessidade que elas façam o mesmo comigo - mas não fazem, e isso deixa-me tão desamparada.

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