Entrego-me
mais às pessoas do que elas a mim. Esforço-me por absorve-las o máximo que
consigo, principalmente as de quem eu gosto. Quero captar tudo, qualquer
detalhe, pormenor, segredo, experienciar as mesmas emoções que elas.
Afundar, afundar-me cada vez mais no ínfimo das suas almas. Vestir as
suas próprias peles, sair de mim e conhecer o outro. Consumi-las,
consumi-las deveras! Mas depois, sinto que toda esta minha fome de possessão do
intelectual do outro não é recíproca. As pessoas podem gostar ou conhecer mas
contentam-se no superficial, não demonstram nem espírito
nem capacidade de sacrifício pelo outro - por o conhecer; todos os
seus gostos, todos os seus medos, todos os seus sonhos e ambições. E eu sinto
tanto isso em relação a mim. Sinto que dou mais do que recebo, que me esforço
mais pelos outros do que eles por mim. Não me sinto equilibrada - tal como eu
tenho a necessidade de conhecer o mais íntimo de certas pessoas, tenho
exatamente a mesma necessidade que elas façam o mesmo comigo - mas não fazem, e
isso deixa-me tão desamparada.
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