15 de novembro de 2012

O ambiente em que vivo está cansado, as pessoas que me rodeiam estão cansadas, mas sobretudo, eu estou cansada! Estou cansada da escola, das disciplinas, das caras dos professores, das caras dos alunos, das vozes deles  todos, das salas de aulas, dos intervalos - desta cidade. Chegou ao ponto de ser insuportável qualquer emprego de energia no que quer que seja. Até deixei de conseguir estudar, não consigo estudar! As minhas notas estão todas a descer porque não me sinto bem aqui! Não sinto! Não é nada de particular é antes um acumular de anos - um colapso de rotinas. Um asfixiamento do mundo, de tudo. Tudo me aborrece, nada me cativa. É um tédio - um tédio de ter de forçosamente de existir. Um tédio a toda esta sociedade que me obriga a ter de pensar e de agir! De toda esta ilusão de livre arbítrio pela qual as pessoas se regulam quando na verdade não temos nenhum! Fazemos aquilo que a sociedade nos determinou que fizéssemos, não somos nada senão um produto de séculos de condicionamentos. E julgamo-nos nós superiores por isso? Porquê? Porque pensamos? Porque conseguimos desenvolver conhecimento? E para quê que isso nos serve? Do que serviu ao Homem tantos séculos de teorias e questionamentos? Expliquem-me que eu não entendo! Tudo o que fizemos até agora, foi afastar cada vez mais de nós o conceito de liberdade. A partir do momento que temos a noção que não podemos controlar o nosso nascimento nem a nossa morte, para quê empregar maior esforço senão o de existir? Existir no real sentido da palavra, ser inconsciente até mesmo desse esforço. 
Com que então o Homem julga-se superior por ser racional? Eu considero isso um ato de fraqueza, um erro, uma desvantagem, uma falha nossa - aqui os imperfeitos somos nós e não todos os outros seres vivos irracionais. Em neles sim, está o verdadeiro conhecimento do mundo - mesmo colocando a hipótese que são condicionados, eles não o conseguem atingir. Satisfazem as suas necessidades básicas à luz do instinto da sobrevivência  e tudo o resto lhes é indiferente. Quem me dera ser assim! Desligada do mundo, sentir com as sensações e só estas apenas! Não saber sequer escrever, nem ler, nem raciocinar  Mas não posso! Porquê? Porque a sociedade me tornou assim! Não foi porque escolhi - quando nasci era tão inocente e inconsciente como qualquer outro ser vivo. E ainda dizem vocês que são livres, que têm opção de escolha? Enganam-se, porque se eu pudesse escolher - escolhia mandar isto tudo à fava, melhor, escolhia nunca ter nascido. 



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