Surpreendo-me, dando comigo, a olhar para algumas fotografias recentes, que a minha mãe, tem, carinhosamente dispostas em molduras. Olho para mim e tento captar qualquer expressão presente que não compreendo. Sigo o contorno dos olhos e deslizo pelos traços do nariz até à boca tirando-lhes as impressões. Reparo que quando sorrio, além de o meu sorriso ser ligeiramente torto e de fazer umas covinhas nas bochechas, fecho mais o olho direito do que o esquerdo. São aqueles pormenores que com certeza escapariam a quem para mim não olhe com atenção. Mas isso é a única conclusão que consigo retirar. Não consigo dizer que tipo de sensação, aquela fotografia, pode causar noutra pessoa que a veja de fora, porque não é eu.
E demoro-me comigo, analiso, analiso, sem nunca chegar a nada. Penso, para comigo, se todo o meu exterior, se todo este conjunto de moléculas que me compõe estará de acordo comigo enquanto alma. E, chego, outra vez ao mesmo beco sem saída. Se eu própria não sei conhecer-me como alguém poderá?
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