19 de abril de 2013

Os Homens são como os fósforos! 

São sete e cinquenta e três da tarde do dia dezanove de abril, olho pela janela e o céu está de um azul deslavado, límpido, não tarda escurecerá, e o azul límpido quase transparente dará lugar ao negrume opaco da noite. No tempo em que isto decorre, morrem células no nosso corpo de que não damos conta, do outro lado do mundo não escurece mas amanhece, o dia foge-nos e nós ficamos mais velhos. Não passamos o tempo - gastamo-lo. Cada minuto, hora, dia, ano que passa é mais um na contagem decrescente do nosso fim, seja ele amanhã ou daqui a cinquenta anos. Cada ano que passa é menos um que devemos ao tempo. Dê-se por sortudo aquele que morre sem saber quando e de quê. Aquele que o sabe não lhe resta mais do que viver agoniado com tal espera. O que distingue aqueles que morrem sem saberem dos que os que sabem é a consciência de morte e do tempo que lhes resta. Aquele que não sabe anda tão distraído com a sua vida que mal  tem tempo para se debruçar no seu fim, já para o outro a sua vida passa a ser a sua morte. Se algum dia tiver algum problema no qual seja possível fazer uma estimativa do tempo que me resta pedirei a essa pessoa para que nunca mo diga, nem mesmo que o pergunte, prefiro a ansiedade à agonia. A partir do momento em que o soubesse - morreria, não enquanto corpo mas enquanto alma. Seria apenas um corpo esperando o inevitável. Mais uma prova de como a ignorância é o melhor caminho para a felicidade do Homem. Difícil não é adquirir conhecimento mas ser ignorante! O que procura a verdade afasta-se da verdade! E a maior verdade que todos nós procuramos é a felicidade.  Que raça enfadonha é esta que anda sempre ao contrário? Festeja-se aniversários à medida que nos aproximamos do fim, procuramos conhecimento para que possamos atingir uma verdade absoluta que justifique a nossa razão de viver quando a verdade se encontra não procurando. 
Já são vinte e dezassete, tenho exatamente menos vinte e quatro minutos de vida do que tinha antes de começar a escrever este texto, e nada escrevi! 
Se virmos bem entre um Homem e um fósforo não há grande diferença. Somos como caixas de fósforos dadas a crianças - acende-os só para os poder apagar. Nascemos para morrer, e a nossa vida é o sopro que vai desde a intermitência da chama até ao fumo que se esbate. Até os fósforos podem ter tempos de duração diferentes, tal como nós. Se soprarmos assim que os acendemos, o tempo que este durou é curto, se deixarmos que a chama consuma toda a madeira que se lhe segue, o tempo que durou é mais longo que o do primeiro. Agora é só equacionar, fazer uma regra três simples e podemos  colocar o fósforo e o homem no mesmo espaço temporal. Não sei porque me encontro meditando nestas coisas. Só sei que já são oito e vinte e oito e eu ainda não saí do mesmo sítio. Restam-me menos trinta e cinco minutos. Queimei-os a fazer comparações entre fósforos e humanos, podia dar-me para pior. 

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