21 de junho de 2012


Já era tarde, as luzes ofuscadas dos candeeiros da rua trespassavam através da persiana meia fechada, ou meia aberta, como queiram. Estava deitada, apenas com uma camisa de dormir de manga curta. Destapei-me, precisava de frio, precisava de sentir – sentir frio, para saber que era real todo aquele cocktail de sentimentos que me invadia. 
De seguida, sentei-me com os braços enrolados à volta dos joelhos, as lágrimas caíam e mais uma vez, os candeeiros da rua que, certamente, também se refletiam nos meus olhos e quiçá nas lágrimas transparentes que deles saíam! Deitei-me ao contrário só porque sim! Senti-me um pouco desconfortável ao visualizar o meu quarto daquela perspetiva. O meu corpo mandava-me voltar a pôr-me como deve de ser, não lhe obedeci! Tal como eu, ele tem de aprender que as coisas não são como ele quer, quando quer. Áh as luzes! As luzes do candeeiro que nesta perspetiva me batem na cara e me encandeiam as vistas. As luzes que são sempre a minha única companhia nas noites frias de inverno ou nas noites infernais de verão! A rua que sem este candeeiro não era nada. Agora sim eu entendo! A luz é a vida, a luz é vida da noite. Apenas ela e eu, durante horas e horas a partilhar a mesma sinfonia silenciosa da madrugada. Se a luz do candeeiro falasse…

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