22 de agosto de 2013

Sinto-me como se já tivesse vivido cem anos e, no entanto, ainda não vivi nenhum. A maior parte dos meus dias são mortos. Vivo sempre à espera de alcançar outra coisa, no entanto, com o passar dos anos, nota-se que alguma coisa produzi. Todos os dias faço alguma coisa, mesmo que seja mínima, que traça um caminho que me levará a algum lado mas, parece-me, que apenas o faço no intuito de passar o tempo até finalmente alcançar aquilo que desejo apesar de não saber do que se trata. Nos meus piores dias sou como um peso morto, caio em cima de qualquer coisa e dali não me movo, quando não o posso fazer e sou obrigada a estar em algum sítio o meu corpo está lá mas apenas isso, nesses dias vivo porque sou obrigada e por isso não me podem exigir mais do que aquilo que já estou a fazer. 
No entanto, as mais pequenas coisas fazem-me feliz; Adoro sentir o sol  a  aquecer o meu corpo  e a queimar-me ligeiramente a pele, o brilho que  dá ao meu cabelo quando embate diretamente sobre ele, as águas do rio, ora calmas, ora turbulentas (conforme a corrente) e a sua cor, uma vez azul, outras vezes turva, outras transparente. Tenho vontade de correr para ele e fundir-me - transformar-me em água do rio. A relva verde, com salpicos amarelos e brancos de margaridas e flores silvestres, que dá vontade de me lá deitar e rebolar e ali ficar eternamente. A maneira como o sol incide nos objetos, nas casas, à tarde, fazendo com que as coisas vibrem e se tornem cor de ouro e como tudo se desvanece depois no fim da tarde. Gosto de quando bebo café lamber primeiro a colher com a qual mexi. Gosto de vestir vestidos que tenham cor ou padrões que me dêem vivacidade. Gosto de usar batom. Adoro quando acordo de manhã com o sol a embater-me na cara pelas frestas das persianas e de ficar algum tempo na ronha a ouvir música antes de me levantar. Gosto de ter energia e de falar com pessoas de quem eu gosto ou nutro admiração. São coisas simples, sim, mas que todas juntas num dia me são capazes de me fazer sentir viva mas, e aqui está o problema, nem todos os dias são assim, há mais coisas para além destas que acabam por ter mais impacto e mais força, há dias que nem mesmo estas coisas todas juntas me são capazes de me fazer retornar à vida, procuro qualquer coisa, que apesar de não saber o que é, sei que nunca vou encontrar e mesmo assim tenho esperança, continuo a minha espera e a minha procura até que acabe por encontrar aquilo que quero. Se encontrar saberei exatamente o que é e aí sentir-me-ei a pessoa mais realizada do mundo, até lá continuarei assim, meia-viva ou meia-morta, como queiram. 

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